A luta antimanicomial é um movimento social que prevê a superação efetiva da prática de asilamento e segregação de pessoas com transtornos mentais, por isso preconiza o fim dos manicômios no país. Trata-se de uma bandeira que remete ao final de década de 1970 e teve grande influência na reforma psiquiatrica, a qual visou superar o atendimento assitencial e de internação para um tratamento territorializado, que impulsionasse a reinserção social dos doentes, reconhecidos então como sujeitos de direitos e não como homens e mulheres incapazes e por isso tutelados pelo Estado, confinados em hospitais psiquiátricos.

Essa luta, que pode parecer muito específica, na verdade tem um caráter de defesa do ser humano e de seus direitos básicos, como direito a vida em sociedade, ao trabalho, à dignidade e à educação. Essa questão me remete ao debate que vivemos hoje nas escolas sobre a inclusão. Penso que não se trata de resistir motivado por falta de formação específica e estrutura nas escolas, trata-se de explicitar o quanto é excludente nosso sistema de ensino, assim como nossa sociedade, e trabalhar na construção de alternativas, como fizeram os trabalhadores da saúde mental quando fundaram o Movimento.

Vivemos numa sociedade marcada pela segregação das pessoas, principalmente daquelas que, por qualquer motivo que seja, impedem a produtividade inerente ao sistema capitalista e suas práticas reprodutivistas baseadas numa lógica de produzir mais com menos recursos. Assim, cidadãos, crianças  e jovens que necessitam de uma atenção maior para desenvolver suas potencialidades viram obstáculos à produção em massa, dái, penso eu, uma das origens da necessidade de seperá-los dos ditos normais.

Hoje, 18 de maio, dia nacional da luta antimanicomial, é também um dia de luta pelo ser humano e pelo seu direito, seja qual for sua condição, de viver, de evoluir e encontrar o seu espaço. Também é dia de refletir sobre se essa sociedade que nós, ditos normais, estamos construindo é a melhor para se viver e respeitar a todos e a cada um.

Para saber um pouco mais dessa luta e de suas bandeiras, sua história acesso o blogue reforma psiquiátrica e o site do ministério da saúde, na pagina sobre saúde mental. A foto eu tirei do site do Centro Acadêmico de Psicologia da UFAM (Universidade Federal da Amazônia) em artigo que fala da luta.

Comente com seu perfil do Facebook