A cada dia que passa eu observo acontecimentos, fatos e leio coisas que permitem que eu possa concluir que estamos passando por um tempo em que a grande maioria das pessoas vive na superficialidade de tudo, não se aprofunda em nada. A velocidade das informações e das mudanças promovidas pelas inovações tecnológicas estariam gerando uma era de superficialidades?

Eu acredito que sim, mas não é só por conta de fatores externos, histórico-sociais. Há também de haver elementos intrínsecos individuais, que somados e tensionados com o meio, geram esse estado em que vivemos. Quem se atem ou opta por se aprofundar em qualquer coisa que seja, desde o estudo até uma relação interpessoal, sabe que esse aprofundamento gera consequências também profundas. Comprometimentos, escolhas, rupturas, responsabilizações, desilusão, reconhecimento de impotência, etc, tudo isso vem quando se conhece a essência das coisas.

É como nadar num rio. Ficar no raso, próximo à segurança da margem conhecida e mais fácil que nadar até até a outra margem ou mesmo mergulhar. Ao mergulhar a pressão da agua sobre nós será maior a cada centímetro de profundidade que descermos, mas também será maior o conhecimento sobre o fundo do rio, que não vemos de cima ou no raso. Também mergulhando é mais fácil superar a correnteza. Quem aprendeu a nadar em cachoeira, brincando de pique-pega, sabe bem que pra fugir do pegador é melhor mergulhar, pois no fundo a correnteza é mais fraca que na superfície.

Talvez por isso, quando duas pessoas se encontram na rua, e uma pergunta ‘tudo bem?’, e a outra responde ‘tudo bem’, nem quem pergunta quer saber, se realmente esta tudo bem, nem quem responde quer dizer, se realmente esta tudo bem, pois isso seria mergulhar, quando a regra e no raso ficar.

Comente com seu perfil do Facebook