Nas eleições brasileiras, seja o ano que for, e em que época for, o tema do socialismo é central. A associação do regime político com determinados candidatos e o uso dessa associação para justificar determinadas medidas é regra geral.

O fato histórico mais relevante foi o golpe militar ocorrido em 1964, que colocou o país sob um regime ditatorial civil-militar por 20 anos. Nesse período houve a proibição de reuniões públicas e de organização de partidos e sindicatos sem autorização do governo, censura à imprensa e perseguição de opositores, com prisões, sequestros, tortura e exílio.

Todos esses “eventos” foram justificados por uma guerra interna contra uma ameaça: a implantação do socialismo com vistas numa ditadura comunista, à qual se alimentaria da corrupção e acabaria com a liberdade e com os valores da família tradicional. Esses temas estão sempre juntos: Socialismo, comunismo, valores da família tradicional e corrupção, e sempre contra o que se denomina de esquerda.

Em 1989 usou-se do mesmo expediente, imputando a Lula, candidato da esquerda que disputou o segundo turno das eleições presidenciais, a pecha de comunista, abortista, adúltero, dizia-se, com apoio da mídia, também que ele colocaria várias famílias numa mesma casa, numa alusão à ideia de expropriação e ao “coletivismo” que os socialistas e comunistas pregam.

Em 1964 e 1989 não havia internet e aplicativos de comunicação instantânea, nem os telefones fixos eram popularizados, o que criava uma dificuldade muito grande de se combater a desinformação e as mentiras. Atualmente, basta observar as campanhas eleitorais para ver os mesmos discursos contra a esquerda, porém, nesse tempo de informação massificada na internet, fácil acesso e comunicação instantânea, estamos vacinados contra a desinformação e as mentiras, certo? ERRADO. Tudo continua como antes! Mas por quê?

Ainda somos vítimas da desinformação, mentiras e fofocas, atualmente apelidadas de fakenews, porque não conhecemos o conceito de socialismo e comunismo e nem conhecemos também a história moderna e contemporânea, em que esses conceitos surgiram na filosofia e economia e tentaram ser praticados por governos pelo mundo.

Não vou discorrer uma tese sobre o socialismo, mas apenas listar 3 pontos para que se possa entender o que não é socialismo, assim você pode refletir melhor se as informações que estão chegando até você são fakenews ou não!

O que não é Socialismo

1 Cuba, Coreia do Norte, China, Vietnã e União Soviética não são ou foram governos socialistas, pois não aplicaram o socialismo na sua essência. Tiveram revoluções contra governos autoritários que, em geral, mantinham a ampla maioria da população em situação de pobreza extrema.

Essas revoluções foram impulsionadas por ideais socialistas que, ao longo do desenvolvimento dos governos revolucionários, foram ficando no campo do símbolo, enquanto a economia real era uma planificação estatal comandada por uma elite burocrática e apegada ao poder.

A maioria da população começou a ter seus anseios e necessidades negligenciados e isso promoveu o descrédito dos regimes que caíram e os que ainda se mantém, sofreram mutações tão grandes que são chamados atualmente de capitalismo de Estado.

2. Socialismo não é Ditadura! Na história da humanidade houve governos autoritários em todos os tipos de regime! Muita gente usa a expressão “ditadura do proletariado” criado por Joseph Weydemeyer e usado por Marx e Engels, pra afirmar que os socialistas querem implantar uma ditaduras nos países.

Outro argumento pra associar o socialismo e o autoritarismo são as experiências de “socialismo real” no século XX, usando a figura de Stalin como um super ditador vermelho, mas esse argumento já cai se você ler o item 1.

Em relação ao termo “ditadura do proletariado” é preciso considerar o todo e não somente uma parte fora de contexto. Esse termo significa, grosso modo, o oposto da ditadura da burguesia, vivenciada no Capitalismo, pois, segundo a tradição teórica marxista, toda forma de governo é uma Ditadura de uma classe sobre a outra. Portando, no capitalista teríamos a Ditadura da minoria [burguesia] sobre a maioria [proletários], uma sociedade pautada nos valores da burguesia [minoria numérica], na qual essa é quem decide os rumos do Estado.

Sendo assim, para haver socialismo, seria preciso inverter essa lógica e colocar o Estado sob os valores da maioria [os trabalhadores], garantindo que essa maioria decidisse os rumos do Estado. Mas isso não significa suplantar minorias e nem que uma pessoa, família ou partido será o decisor de tudo. A ideia é que a democracia seja participativa, sendo justamente a falta de participação popular uma das principais causas do desgaste dos “regimes socialistas” conhecidos na história.

3. Socialismo não é a mesma coisa que nazismo! O fato do partido do Hitler se chamar “Partido Nacional Socialista Alemão” não quer dizer que o regime implementado do Nazismo seja baseado no ideário socialista, muito pelo contrário. Ai está mais um caso de deturpação.

Basicamente o socialismo é um regime baseado na igualdade natural entre os seres humanos e na igualdade de oportunidade econômicas e sociais entre os cidadãos. Basta lembrar que o cooperativismo, por exemplo, foi proposto por um conhecido socialista, Robert Owen. Já o nazismo é um regime baseado na ideia de superioridade de uma raça sobre outras e no estigma, subalternalisação e até eliminação daqueles que não são puros dessa raça, ou seja, é a ditadura de um padrão superior!

No caso da Alemanha Hitlerista, a raça pura era o Ariano e todos que não fosse isso ariano era impuro e então não era considerado humano, por isso sem valor. Há outros regimes que valorizam seres humanos por sua origem étnico-racial e por características biológicas. O socialismo não faz nenhuma distinção de seres humanos, pelo contrário, é a utopia que pretende acabar com toda forma de segregação e discriminação.

BÔNUS: O Brasil não viveu uma ditadura socialista nos governos do PT, viveu uma período em que os bancos ganharam bilhões. Como poderiam os bancos, símbolo do capitalismo na sua configuração atual [rentismo], ganhar tanto num governo ditatorial socialista?

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