No dia 29 de outubro, logo que saiu o resultado das eleições, Ana Campagnolo, deputada estadual eleita em Santa Catarina pelo PSL, partido do Bolsonaro, Presidente do Brasil, e do Comandante Moisés, Governador de Santa Catarina, após viver momentos de histeria cibernética em seu perfil no facebook comemorando a vitória do seu candidato, postou um chamado controverso aos estudantes catarinenses.

A deputada eleita supõe que professores “doutrinadores esquerdistas” decepcionados pela derrota de Fernando Haddad [PT], iriam usar suas aulas para reclamar, por isso criou um canal para denúncias anônimas, para o qual os estudantes devem enviar vídeos das aulas desses professores.

Esse chamado não é o primeiro fato criado pela deputada que, dias depois de eleita, deu entrevista afirmando que os professores apenas pensam em dinheiro, desconsiderando que os mesmos tem baixos salários e condições de trabalho sofríveis, o que é amplamente documentado por pesquisas na área da educação, por matérias publicadas na imprensa e reconhecido pelos principais candidatos ao executivo e legislativo, que tem na melhoria da educação e ampliação dos investimentos uma bandeira prioritária.

Além da forma grosseira que a Deputada, que é professora [sic!], trada os docentes, generalizando o comportamento de forma pejorativa e do seu desrespeito e desconhecimento das reais condições de trabalho e remuneração da categoria, esse chamado é uma incitação ao descumprimento da lei e acintoso aliciamento de menores para fins políticos e partidários. Logo ela que se elegeu em uma plataforma policialesca e de cumprimento da lei, bradando bandeiras contra a corrupção e contra a manipulação de crianças e adolescentes por parte de supostos professores doutrinadores de esquerda.

Em Santa Catarina a lei nº 14.363, de 25 de janeiro de 2008, aprovada na mesma assembléia legislativa que agora terá essa professora como deputada, proíbe o uso de celulares nas salas de aula de escolas públicas e particulares de Santa Catarina.

A Deputada deveria estar preocupada em se preparar para assumir uma cadeira na casa legislativa catarinense e para todas as responsabilidades do cargo, que inclui fiscalizar o executivo e propor leis e não usar seu cargo para tentar usar jovens para seu projeto político-partidário, descumprindo a lei, e desrespeitando autoridades escolares.

É imperativo considerar o princípio da presunção da inocência e também que haja respeito às instâncias do sistema estadual de ensino, sem interferências de quem não tem essas prerrogativas. A liberdade de cátedra e de pensamento nas escolas é garantida pela constituição e os professores merecem respeito pelo serviço que prestam e não serem tratados de forma generalizada com desconfiança e desrespeito!

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